domingo, 8 de janeiro de 2017




“ Calúnia”

(memória descritiva)


A calúnia e a inveja estão presentes num quadro de Sandro Botticelli que tive ocasião de ver de perto no Uffizi. Recorro a ele sempre que me defronto com o que está a acontecer à Humanidade sobretudo ao universo feminino ocidental desta pequena parcela peninsular que melhor conheço.
É de sempre haver mulheres que, com inveja, caluniam outras.
É de sempre.
Não foi Sandro Botticelli que inventou isso. Mas retratou-a como um sábio, misturando o rancor e a fraude à inveja. E a inveja está a par e passo ligada à calúnia.
Também não é novidade.

Numa época em que o "salve-se quem puder" está cada vez mais a marcar as relações humanas e sobretudo as relações entre mulheres potencialmente concorrentes ou adversárias em alguma coisa que pretendem, sobretudo do mundo dos homens, estas caluniam sem dó nem piedade quem lhes faz frente, quem lhes barra o caminho, quem é mais bonita, melhor vestida e por aí adiante.
A arte não fica de fora destas querelas impiedosas e discretas.
Aos homens caberia desincentivar estas infelizes conversas maldosas, os boatos, os ciúmes doentios, a má-fé e a maldade, já que eles se dizem mais racionais e por isso mais capazes de discernir nos momentos mais complicados da vida das mulheres.
O que se vem assistindo é que eles estão também cheios dos mesmos males e não resistem a uma "conversinha" de cinismo magoado.
As mulheres, que foram sendo mais vítimas sociais do que os homens, entendo eu que se quisessem servir de todos os estratagemas para melhor conseguirem resultados.
Que pena que a humanidade não aprenda nada à medida que os séculos passam e a tecnologia avança. Que pena!
Lá terei eu e outros e outras como eu, que voltar a chamar a atenção de que algo de errado está a acontecer no mundo das relações humanas mais próximas, quase diria de dentro da nossa casa.
Olga Barbosa 
2016


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